07 Dez

Do lixo à cultura: catadores que transformam rejeitos em cultura para aqueles que não possuem acesso.

No Brasil, é impensável falar na questão da reciclagem sem falar nos catadores de lixo. Estima-se que 1 em cada 1.000 brasileiros seja catador. Só em São Paulo, somam-se cerca de 25 mil profissionais, entre carroceiros, catadores e coletores que desviam, diariamente, alguns milhares de quilos de rejeitos dos lixões. A importância deles se torna ainda mais clara quando pensamos que o Brasil produz atualmente cerca de 250 toneladas de lixo diariamente e que esse material, se não reciclado, ficaria se acumulando em aterros, poluindo águas e terras.

Entretanto, embora o papel social e ambiental desses profissionais seja extremamente nobre, o trabalho não vem acompanhado de tamanho glamour. A maioria deles caminha cerca de 30 quilômetros por dia, debaixo de chuva ou sol, puxando até 400 quilos, em busca de materiais que muitas vezes só são encontrados depois de muita busca, em sacos de lixo cheios de rejeitos que podem transmitir doenças ou machucá-los, já que a maioria não usa proteção alguma – seja por falta de dinheiro oi por falta de informação. Além disso, é também comum que sejam confundidos com mendigos ou marginais, ou simplesmente ignorados pela maioria das pessoas. Isso tudo para ganhar não mais do que um ou dois salários mínimos por mês.

O destino da maioria desses materiais “catados” é a reciclagem: os catadores são responsáveis por grande parte da separação e coleta de materiais que a indústria da reciclagem reprocessará. Outro destino desses materiais são as ONGs, cooperativas e associações que produzem artesanato a partir de rejeitos e resíduos, como as que mostramos no penúltimo post.

Mas o mais interessante em meio à realidade dos catadores são algumas histórias quase mágicas, protagonizadas por algumas pessoas que, em meio à sua realidade dura, arranjam inspiração para melhorar a vida de outras pessoas.

Um exemplo disso é a do senhor Severino Manoel de Souza, de 58 anos, que montou uma biblioteca pública em Itapecerica da Serra, São Paulo, que hoje já conta com mais de 15 mil obras. As primeiras foram encontradas em 2001, jogadas no lixo. Embora estivessem roídos por ratos e maltratadas pelo tempo, os cerca de 600 livros que seu Severino resgatou em meio ao esquecimento dos lixões montaram a primeira biblioteca criada por ele, na capital, em um prédio ocupado por movimentos populares de moradia.

Hoje em dia, após divulgação do trabalho do catador, a biblioteca já recebe doações. Severino afirma que os livros são sua paixão, sua “sobremesa à noite”.

Outro exemplo disso é o ex-morador de rua Robson Mendonça. Ele conta que, quando vivia na rua, era privado não só de ter um lar ou uma alimentação digna, mas também do acesso à cultura. As bibliotecas públicas não permitiam que pessoas “sem residência fixa” retirassem livros, e mesmo que ele tentasse lê-lo sentado nas mesas do local, sofria preconceito por parte dos demais freqüentadores. Assim, quando sua situação melhorou, ele resolveu ajudar aos que passavam pela mesma privação. Também com obras encontradas no lixo ou doadas, ele montou a “Bicicloteca”, uma biblioteca sobre rodas. As pessoas, moradores de rua ou não, podem retirar os livros, contanto que se comprometam a devolverem ou, ao menos, doarem para outras pessoas.

Outro protagonista de uma história de tamanha nobreza é o senhor José Luis Zagati. Apaixonado por cinema desde criança, o catador resolveu montar o seu próprio cinema depois de achar uma carcaça de projetor, além de filmes, em meio aos lixões. Assim, nascia o Mine Cine Tupy, que hoje apresenta filmes para crianças que não têm acesso à cultura veiculada nos caros cinemas do país.

Post sugerido por: Cassiane Wigner Brochier – Santa Maria/RS (“A próxima matéria poderia ser sobre as pessoas que vivem e se sustentam através de materiais reciclados. Qual o destino desses materiais, como essas pessoas fazem a diferença, inclusive no mundo da moda, arrecadando matéria-prima.”)

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25 Nov

Ecológico e socialmente correto: ONGs que produzem artigos de Moda com materiais reciclados

A reciclagem não se limita apenas à recuperação e reprocessamento de materiais pela indústria (tais como papéis reciclados e novos materiais a partir de garrafas PET). O upcycling, um processo que consiste em transformar resíduos, produtos ou materiais descartados ou sem valor subjetivo em novos produtos com mais valor, uso ou estética. Esse processo, além de ser mais simples de ser realizado, não necessitando de uma indústria por trás, é um processo mais “limpo” do que a reciclagem industrial: dispensa as altas quantidades de água, energia elétrica e produtos químicos que costumam ser utilizados pela indústria de reciclagem.

Nesse sentido, inúmeras ONGs e cooperativas espalhadas pelo país têm realizado projetos e produzido produtos de Moda a partir de materiais descartados da indústria têxtil e até mesmo recolhidos dos lixões. A maior parte dessas entidades, além de utilizar materiais reciclados para a produção de seus bens, tem sua equipe formada por pessoas, em especial mulheres, em situação de vulnerabilidade. Se pensarmos que o conceito da sustentabilidade envolve, não apenas o ecologicamente correto e viável, mas também o socialmente justo e o culturalmente diverso, esse tipo de trabalho é uma forma de produção totalmente de acordo com a idéia.

Pensando no fato de que no Brasil cerca de 40 milhões de pneus são produzidos anualmente, a ONG Arte em Pneus produz mobílias e acessórios de Moda cheios de estilo com pneus reciclados. É uma bela maneira de dar um novo valor a produtos que ficariam largados em lixões e aterros.

A reciclagem também é o mote central da Toque de Mão, um grupo de artesãos oriundo da ONG Pro-Social. Alimentando e sendo alimentado pela indústria da Moda, o grupo produz o seu artesanato basicamente a partir de retalhos que recebe de doação das empresas, ao mesmo tempo que produz para diversas marcas de roupa cariocas.

Outro exemplo disso é o projeto Costurando o Futuro, que assim como a Naturezza, desfilou na última edição do Oscar Fashion Day. Atuante em várias cidades, o projeto capacita mulheres de baixa renda para trabalharem na indústria têxtil, dando cursos de corte e costura em comunidades pobres. Na Favela Canal das Tachas, no Rio de Janeiro, o projeto ainda ganhou um viés ecológico. Além dos cursos de capacitação e do acompanhamento posterior a eles, o projeto contrata alguns alunos para trabalharem no projeto Onda Carioca, que produz bolsas e acessórios utilizando resíduos de banners publicitários.

Já o grupo Reciclar T3, que contempla um Instituto de Pesquisa, Criação e Capacitação para o Design Ambiental, produz acessórios a partir de materiais descartados bastante inusitados e capacita para o trabalho com recicláveis através de cursos técnicos ministrados por profissionais específicos de cada tipo de matéria-prima. Bolsas e gravatas a partir de latas de óleo e um sofá feito com placas de trânsito são algumas das invenções criativas da ONG que foi criada pela designer Águida Zanol que, há quase dez anos, já produzia e realizava exposições de sua art wear (arte vestível).

Post sugerido por: Cristina A. F. Gafanha – Santos/SP

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13 Out

Escama de peixe como alternativa ao plástico

Cada vez mais, pesquisas estão sendo feitas em busca de matéria-primas alternativas (e “verdes”) para substituir outras já existentes, de modo a diminuir a extração excessiva destas fontes não-renováveis, além de reaproveitar materiais que seriam descartados. Um projeto recente, criado pelo designer Erik de Laurens busca utilizar escamas de peixe que sobram dos pescados para fabricar produtos que seriam normalmente feitos de plástico. Chamado de “The Fish Feast”, o estudo foi criado como conclusão de curso na Royal College of Art, em Londres.

Laurens, que sempre gostou do mar, afirma que para transformar a escama de peixe em “plástico” utiliza-se apenas calor, pressão e corantes.

Você pode ver mais no site de Erik.

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30 Ago

Energia gerada a partir de papel

Depois de mochilas, telhados e diversos outros elementos que captam a luz solar para transformá-la em energia, cientistas trazem uma nova invenção: uma folha de papel que gera energia. Estudiosos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) desenvolveram uma célula solar de geração de energia tão fina que pode ser impressa em uma série de materiais flexíveis, tais como papel, tecido ou plástico.

Embora a pesquisa de painéis fotovoltaicos imprimíveis não seja uma novidade, os painéis desenvolvidos pelo MIT são fixados a vácuo, o que permite que sejam impressos em materiais flexíveis, além disso, eles parecem ser mais resistentes do que os já pesquisados anteriormente. Foram feitos testes de impressões em lâminas de plástico ou PET, posteriormente dobradas e amassadas mais de mil vezes, não afetando o desempenho do painel. Os cientistas afirmam que essa novidade pode trazer uma redução de custos na produção de célular solares tradicionais.


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12 Ago

Energia gerada a partir de papel

Depois de mochilas, telhados e diversos outros elementos que captam a luz solar para transformá-la em energia, cientistas trazem uma nova invenção: uma folha de papel que gera energia. Estudiosos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) desenvolveram uma célula solar de geração de energia tão fina que pode ser impressa em uma série de materiais flexíveis, tais como papel, tecido ou plástico.

Embora a pesquisa de painéis fotovoltaicos imprimíveis não seja uma novidade, os painéis desenvolvidos pelo MIT são fixados a vácuo, o que permite que sejam impressos em materiais flexíveis, além disso, eles parecem ser mais resistentes do que os já pesquisados anteriormente. Foram feitos testes de impressões em lâminas de plástico ou PET, posteriormente dobradas e amassadas mais de mil vezes, não afetando o desempenho do painel. Os cientistas afirmam que essa novidade pode trazer uma redução de custos na produção de célular solares tradicionais.

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08 Jul

Lixo vira arte (e música)

Um jovem da periferia de São Paulo encontrou uma maneira de aproveitar resíduos descartados para criar arte. David Rocha, de 20 anos, busca resíduos de madeira e outros materiais em aterros de lixo, terrenos baldios e até às margens do Tietê e os utiliza para confeccionar violinos e outros instrumentos de corda.

O jovem transformou o seu sonho de tocar em uma orquestra em um projeto artístico e totalmente sustentável. Além de tirar resíduos que estariam ocupando espaço nos aterros de lixo, o jovem cria objetos para os quais não teria recursos para adquirir.

O meio que David encontrou para construir os objetos que desejava pode vir a fazer parte do futuro da produção destes instrumentos no país, já que a maioria dos bons violões é feita com Jacarandá da Bahia, que tem o corte proibido, ou de Mogno, que é raro.

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16 Jun

Papel semente

Seed paper ou papel semente é a novidade ecológica que está literalmente cravando suas raízes por aí! O produto consiste em um papel ecológico que de fato contém vida. O material possui as mesmas características de um papel reciclado tradicional, porém com um novo diferencial: contém sementes que fazem com que este, se enterrado e regado, germine. A idéia é que, ao invés de descartar o papel no lixo, se plante-o. Já possui versões com flores, chás, temperos e até verduras como rúcula!
 
Ecologicamente correto, o papel semente tem ganhado mercado na forma de envelopes, convites, cartões de visita, tags e outros brindes. Mais uma idéia criativa para ajudar a cuidar do nosso planeta!

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16 Mai

MAM traz exposições voltadas para a sustentabilidade

O MAM – Museu da Arte Moderna de São Paulo – traz duas exposições simultâneas, entre 20 de abril e 26 de junho. As mostras “Morada Ecológica” e “Razão e Ambiente”, esboçam um panorama da arquitetura consciente no Brasil e no mundo, além de trazerem à tona o histórico da sustentabilidade.

Morada Ecológica, com curadoria da arquiteta francesa Dominique Gauzin-Müller, exibe mais de 50 projetos de grandes nomes da arquitetura ecológica atual. A exposição sela uma parceria entre o MAM e o museu francês Cité de l’Architecture & du Patrimoine.

Já a mostra Razão e Ambiente traz uma visão da arquitetura consciente adotada hoje no Brasil, através de 21 obras, sob a curadoria de Lauro Cavalcanti.

As exposições, que oferecem a oportunidade de conhecer o trabalho de grandes arquitetos voltados à sustentabilidade, ficam em cartaz de 20/04 a 26/05, no MAM de São Paulo, localizado na Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 3 – Parque do Ibirapuera. A visitação é aberta de terça a domingo, das 10h às 17h30min.

Pátio interno de Villa Lena, Finlândia (2004). Projeto de Olavi Koponen (Foto: Jussi Tiainen)

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12 Abr

O “jogo verde” de Harrison Ford no Facebook

Jogos como FarmVille ou Mafia Wars viraram febre no Facebook há questão de dois anos. O objetivo é pontuar por meio da produção de – no caso do FarmVille – produtos agrários como lavouras e animais. E administrar esses produtos. Em outro jogo, o CityVille, a meta é construir e igualmente administrar uma cidade. Pois o ator Harrison Ford resolveu unir o útil ao agradável e lançar um jogo baseado nas questões ambientais.

O Ecotopia deve ser lançado em breve no Facebook. A iniciativa tem base semelhante ao CityVille, isto é, construir e administrar uma cidade, mas ganhará mais pontos quem optar pelas alternativas mais ecologicamente corretas. Ford uniu-se estúdio Talkie e à Conservação Internacional para desenvolver o aplicativo.

- Estou animado por estar envolvido com o Ecotopia porque eu vejo isso como uma excelente forma de atrair milhões de pessoas na luta para proteger o nosso planeta, tomando em linha de ação e em nossa vida diária. Acho que o jogo irá ajudar as pessoas envolvidas de uma forma divertida e educativa – disse.

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31 Mar

Energia direto da ponte

Você não leu errado: a ponte é a fonte. Designers italianos desenvolveram um projeto capaz de transformar uma ponte de dez quilômetros em um gerador de energia passível de produzir 36 milhões de kW/h por ano. Como? Via vento e sol.

Batizada de “Solar Wind”, seria aplicada em parte da Autostrada del Itália Sole, que liga os municípios de Scilla e Bagnara, no sul da Itália, e que foi construída entre os anos 60 e 70.

O projeto dos italianos ficou em segundo lugar, mas imagens dos outros grupos selecionados (um francês, vencedor, e um colombiano, em terceiro lugar) também são de encher os olhos.

Eis aí uma prova concreta de que é possível apostar no reaproveitamento sem destruir e, além disso, promover a sustentabilidade de forma consciente. Detalhes podem ser conferidos no site do concurso: http://www.newitalianblood.com/solarparksouth/

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